Interceptações telefônicas realizadas durante as investigações da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) mostram que Ana Cláudia Flor tinha a intenção de executar Igor Espinosa, autor dos disparos que matou o empresário Toni da Silva Flor, 38 anos, no dia 11 de agosto de 2020.

Ana Cláudia foi presa após ser acusada de mandar matar o marido, por suposto interesse financeiro. O crime foi encomendado pelo valor de R$ 60 mil, no entanto, ela pagou apenas R$ 20 mil.

Trechos de uma conversa obtida pelo Olhar Direto mostra uma troca de mensagens entre a acusada e a irmã de Toni onde, expõe sua intenção de executar o atirador, que foi preso no dia 10 de agosto.

Na tentativa de ludibriar a família da vítima, Ana Cláudia dizia que Igor não estaria preso pelo assassinato de Toni e ressaltava que os policiais estavam mentindo sobre o envolvimento dele.

Ana Cláudia – Eu soube lá de dentro da delegacia, porque eu paguei, o guri disse que não abriu a boca. Não falou nada. Esse guri vai sair de lá pela porta da frente.

Cunhada – Mas será que falou nada mesmo?

Ana Cláudia – Falaram que não falou nada (...) Eu vou matar esse cara, tá falando que não é agora, falou que era M. agora que era o Toni, agora fala que não é ele. Foi para audiência de custódia por causa da tornozeleira eletrônica. Não tá no processo, ele vai sair de lá.

Ana Cláudia – Eu já gastei muito dinheiro nisso. Só hoje foram R$ 4,5 mil...

Cunhada – Mas para fazer alguma coisa?

Ana Cláudia – Não, para ter informações de dentro da delegacia.

Ana Cláudia – Eu vou gastar o que for preciso. Porque se esse rapaz disser que foi ele e for solto, eu mato ele. Tranquila e calma. Mas ele disse que não abriu a boca para dizer nada.

Relembre o caso

De acordo com as investigações, Ana e Toni estavam casados há mais de 9 anos, tendo inclusive três filhas. O relacionamento do casal estaria perto do fim, por conta de relacionamentos extraconjugais da acusada.

Pouco antes de ser morto, Toni teria dito a esposa que queria a separação, no entanto, Ana planejou o crime para ficar com todos os bens do empresário.

Com a ajuda da “melhor amiga”, a manicure Ediane Aparecida da Cruz Silva, a acusada conseguiu o telefone de Wellington Honorio Albino que, por sua vez, com o auxílio de seu amigo Dieliton Mota Da Silva, “terceirizou” o serviço homicida praticado por Igor.

Todos os envolvidos foram convencidos de que receberiam a quantia de R$ 20 mil cada, para a execução de Toni. No dia do crime, Igor recebeu sua parte.

Toni foi morto com cinco tiros na porta de uma academia na Capital. Na época, ele chegou a ser socorrido, mas morreu dias depois.

Quase um ano após o crime o delegado Marcel de Oliveira, da DHPP, deflagrou a primeira fase da operação Capciosa onde prendeu o atirador.

Por meio do depoimento dele foi possível chegar aos demais envolvidos. No último dia 03, o Ministério Público Estadual denunciou os acusados por envolvimento no homicídio. Além disso, foram decretadas as prisões preventivas dos cinco, que devem responder pelo crime na cadeia.

Por RepórterMT