O soldado mato-grossense Arisson Benevides, conhecido como “Periquito”, afirmou ter sido vítima de agressão física durante um treinamento militar na Ucrânia e relatou que chegou a perder a consciência após ser atingido na cabeça.
O caso veio à tona após a divulgação de vídeos e de um depoimento gravado pelo próprio brasileiro, que atua no conflito entre Ucrânia e Rússia desde 2022.
Segundo o relato de Arisson, a confusão aconteceu durante um período de reciclagem militar que reunia combatentes veteranos e recrutas recém-chegados. Ele afirma que participou da atividade ao lado de outro veterano de guerra identificado como Sasha.
Em seu depoimento, o mato-grossense criticou a condução do treinamento e alegou que presenciou o que classificou como punições excessivas impostas a novos integrantes da unidade. De acordo com ele, os recrutas eram submetidos a longos períodos sob o sol e a atividades físicas consideradas exageradas.
Arisson afirmou que o desentendimento começou quando uma instrutora teria exigido que ele participasse de exercícios físicos. Segundo o soldado, ele possui restrições médicas decorrentes de sequelas adquiridas durante sua atuação na guerra e, por isso, estaria dispensado de determinadas atividades.
Ainda conforme sua versão, ao explicar a situação, teria sido alvo de zombarias e ameaças de punição. O militar relata que contestou a postura da instrutora e cobrou respeito aos veteranos que atuaram diretamente em operações de combate.
“Porque, na verdade, ela não tem nenhum tipo de experiência militar aqui na Ucrânia. Somente sabe falar e falar. Ela mandou que eu e outros veteranos corrêssemos no tempo dela. Eu disse que não, porque eu e meu amigo Sasha temos um atestado emitido pelo comitê médico VLK, que nos proíbe de fazer exercícios físicos devido às sequelas da guerra. Quando expliquei isso, ela começou a zombar de mim, disse que eu era um recruta como qualquer outro e que, se eu não obedecesse, seria punido”, relatou.
A discussão teria se intensificado rapidamente. Arisson afirma que a instrutora avançou contra ele e tentou agredi-lo fisicamente. Segundo seu relato, ele optou por não reagir por se tratar de uma mulher.
Um instrutor identificado como Alin, apontado por ele como companheiro da instrutora, teria aproveitado o momento em que outros militares o seguravam para golpeá-lo na região da cabeça com uma pedra.
“Nisso ela surtou, veio para cima de mim, tentou me agredir e me enforcar. Pelo fato de eu ser homem, eu não revidei. Por mais nervoso que estivesse, jamais encostaria o dedo em uma mulher. Enquanto isso, os ucranianos, em vez de segurá-la, me seguraram. Foi nesse momento que o namorado dela, Alin, aproveitou para me atingir na nuca com um pedaço de pedra. Eu desfaleci, fiquei desacordado e confuso. Graças aos meus amigos, especialmente ao Sasha, recebi apoio e fui acompanhado até o hospital. Hoje estou aqui dando esse testemunho e esclarecendo o que aconteceu”, disse.
O impacto teria provocado a perda imediata da consciência. Arisson relata que ficou desacordado e sofreu confusão mental após a agressão. O soldado afirma que recebeu auxílio de colegas, que o acompanharam até uma unidade hospitalar para atendimento médico.
As informações divulgadas indicam que o brasileiro sofreu ferimentos na cabeça e apresentou um quadro de coágulo, embora detalhes atualizados sobre seu estado de saúde não tenham sido divulgados oficialmente.
Natural de Mato Grosso, Arisson Benevides ganhou notoriedade por integrar forças voluntárias que atuam ao lado do Exército ucraniano. Ex-militar do 2º Batalhão de Fronteira, em Cáceres, ele já declarou possuir experiência em segurança patrimonial, escolta armada e proteção rural.
Em entrevistas anteriores, o combatente afirmou que seu objetivo sempre foi atuar em cenários reais de conflito armado. Em 2025, ele informou ter ingressado na Legião Internacional da Ucrânia, unidade composta por voluntários estrangeiros que participam da defesa do país contra a invasão russa.
Por Folhamax
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