O resgate de uma criança de 12 anos, mantida em cárcere privado e sentenciada à morte por uma facção criminosa no bairro Vila Arthur, em Várzea Grande, causou impacto até mesmo em policiais veteranos. Em entrevista exclusiva ao
, na tarde de hoje (28), o sargento Giovanni, do Grupo de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (RAIO), afirmou que as organizações criminosas "avançaram o sinal vermelho" ao submeter menores de idade a níveis extremos de tortura e crueldade.
"As facções avançaram o sinal vermelho no que tange à violência contra a criança. Nós, policiais militares, estamos nos assustando com a tamanha crueldade que têm adotado. Hoje em dia, o que a gente está vendo e está se assustando. Nós, os policiais militares, estamos nos assustando com a tamanha crueldade que as facções criminosas têm adotado para punir. É uma criança de 12 anos. Encontramos quatro criminosos se reunindo em uma tamanha covardia, porque eram quatro adultos contra uma criança", relatou Giovanni.
A ocorrência foi registrada na última sexta-feira (24) e mobilizou as equipes do Raio 05 e Raio 03 após denúncias de que quatro homens conduziam a criança à força para uma residência na Rua dos Operários. Segundo relatos, o grupo teria levado o menor para uma residência na Rua dos Operários, onde ele seria submetido a um “salve”, espécie de punição aplicada por facções criminosas.
No local, os policiais interromperam o que seria um "tribunal do crime". Segundo o sargento, o grupo, composto por quatro adultos, sendo que três já possuem passagens por tráfico, planejava executar o menino como punição por supostos furtos cometidos no bairro.
Tortura emocional e covardia
Durante o relato, o sargento Giovanni destacou o sadismo dos criminosos, que obrigaram a criança a cavar o local onde seu corpo seria enterrado. "Encontramos ela [a criança] totalmente abatida, cheia de lesões. Submeteram-na ao terror extremo, dizendo que iam torturá-la e executá-la. Fizeram com que essa criança cavasse a própria cova", afirmou o policial, classificando a ação como uma "covardia de quatro adultos contra uma criança".
No imóvel, além da vítima, a PM apreendeu facas, pá, picareta e enxada, que seriam utilizadas na execução e ocultação do cadáver na região conhecida como "Fazendinha". Também foram encontrados R$ 942 em espécie e materiais para o tráfico de drogas, como balanças de precisão.
Apelo às famílias
O sargento Giovanni fez um apelo direcionado aos pais e responsáveis. Para o militar, a lacuna na criação familiar tem permitido que o crime organizado assuma um papel de "corretor" de condutas de forma brutal.
Por RepórterMT
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